NATAL 1999

Caros pais e amigos,

 

Que este tempo de Natal seja para cada um de vós cheio de alegria, pois no princípio do terceiro milénio, «ontem, hoje e sempre, Cristo»: O Verbo Incarnado abre a todos os homens a porta da alegria e da esperança.
Como o deseja o próprio Santo Padre, que para todos, o Natal de 1999 seja uma solenidade radiosa de Luz, o prelúdio de uma experiência particularmente profunda da graça da misericórdia divina. Que todo o crente acolha o convite dos anjos que anunciam, sem fim: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

No dia 27 de setembro de 1999, agradou ao Pai chamar a Irmã Marie para junto d’Ele. Irmã Marie era prioresa das monjas desde as origens da Família monástica de Belém, da Assunção da Virgem e de São Bruno. Os monges e as monjas dão graças a Deus pelo dom que lhes foi concedido na pessoa e na vida da irmã Marie. No coração da Igreja, durante estes cinquenta anos, a Irmã Marie deu todas as suas forças para que numerosos discípulos de Jesus e de Maria, se tornem vigias e adoradores da Santíssima Trindade com a Virgem Maria, na graça da paternidade espiritual de São Bruno e da sua sabedoria de vida.

No dia 21 de Novembro de 1999, na celebração de Cristo-Rei do Universo e da apresentação da Virgem Maria no Templo, a irmã Isabelle, prioresa do mosteiro de Nossa Senhora da Assunção, na Terra Santa, foi eleita, pelo Capítulo geral, para suceder à irmã Marie como Prioresa das monjas de Belém, em dependência da Virgem Maria glorificada. No decreto de ereção pontifícia, Maria é, com efeito, reconhecida pela Igreja como verdadeira Prioresa dos monges, das monjas, da Família monástica inteira.

No dia 14 de Março 1998, o Papa João Paulo II acolhe a Família monástica de Belém e tem um encontro com a irmã Marie.

Neste grande jubileu, cada cristão é convidado a renovar o seu coração e a sua vida na alegria de pertencer a Cristo e de se lançar, com Ele, para o Pai, sob a sombra do Espírito Santo. Cada cristão é também chamado a cumprir o grande mandamento do Amor de forma mais verdadeira e intensa em relação aos seus irmãos.

O Grande Jubileu do ano 2000 coincide com o 50º aniversário da promulgação do dogma da Assunção da Virgem Maria. Os monges e as monjas de Belém entram na «festa» eclesial que é o Grande Jubileu, com uma particular alegria dado que a sua Família monástica recebe a sua origem na Igreja deste mistério da glorificação de Maria.
Escondidos no deserto, os monges e as monjas são conduzidos, com toda a Igreja, à comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Aí recebem todo o amor do Pai por cada um dos seus filhos e suplicam-Lhe que envie o fogo ardente do Espírito Santo sobre a Igreja e sobre toda a família humana e «como poderia o Pai recusar o Espírito Santo àqueles que lho pedem?» Lc 11, 13 Este Espírito Santo é paz, amor, unidade, esperança, reconciliação e alegria para o nosso mundo submergido em tantos sofrimentos e aflições.

A vós, nossas famílias e amigos, a quem trazemos mais particularmente nos nossos corações, àqueles que nos ajudam no visível e no invisível, por seus conselhos, seus trabalhos nos diferentes mosteiros em construção, pelos seus óbolos para favorizar a implantação de novos mosteiros ou a restauração de lugares que nos são confiados em nome da Igreja, exprimimos o nosso grande agradecimento. Prometemo-vos a nossa oração!

Agradecemos a todos os que nos manifestaram a sua amizade e oração pelo regresso ao Pai da nossa irmã Marie.

Com a nossa gratidão e afecto profundo convidamo-vos ao júbilo neste limiar do Terceiro Milénio, «pois, diz o Papa João Paulo II, não são as trevas que reinarão no ano 2000, mas o amor de Deus envolverá o novo século».

Que este Ano Santo seja, em cada um de vós, um cântico incessante de louvor à Santíssima Trindade.

Os monges e as monjas de Belém, da assunção da Virgem e de São Bruno.



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Creio firmemente no Pai, no Filho e no Espírito Santo: O Pai não gerado, o Filho único gerado, o Espírito Santo que procede de Um e de Outro e creio que estas Três Pessoas são um só Deus. Creio que este mesmo Filho de Deus foi concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria. Creio que a Virgem era castíssima antes do parto, que permaneceu virgem no parto, e permanece eternamente virgem. Creio que este Filho único de Deus foi concebido entre os homens como um homem verdadeiro e sem pecado.

Creio que este mesmo Filho de Deus foi injuriosamente tratado, injustamente ligado, coberto de escarros, flagelado. Creio que morreu, foi sepultado, que desceu aos infernos para libertar os seus que ali estavam cativos. Desceu para a nossa redenção, ressuscitou, subiu aos céus donde virá para julgar os vivos e os mortos.

Creio nos sacramentos que a Igreja católica crê e venera e, expressamente, que o que é consagrado no altar é o verdadeiro Corpo, a verdadeira Carne e o verdadeiro Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, que nós recebemos para a remissão dos pecados, em esperança da Vida eterna. Creio na ressurreição dos mortos e na Vida eterna.

Confesso e creio na Santa e Inefável Trindade, Pai, Filho, e Espírito Santo, um só Deus, duma só Substância, duma só Natureza, duma só Majestade e Poder. Professamos que o Pai não é gerado nem criado. O Pai não recebe a sua origem de ninguém; d’Ele, o Filho recebe a geração e o Espírito Santo a processão. Ele é pois a Fonte e Origem de toda a Divindade.

O Pai, inefável por essência, gera o Filho inefavelmente da Sua substância; mas não gera outra coisa que o que Ele próprio é: Deus gerou Deus, a Luz gerou a Luz; pois é d’Ele que procede toda Paternidade no Céu e na terra. Ámen.

Credo entregue por São Bruno, na hora da sua morte